Uma viatura termina o turno com 240 quilómetros no conta quilómetros, mas as plataformas só registam 165 quilómetros em viagem. Os restantes 75 foram feitos a procurar pedidos, a regressar a uma zona movimentada ou em deslocações pessoais. Este artigo explica como medir os quilómetros vazios no TVDE, perceber onde nascem e reduzi-los sem obrigar o motorista a rejeitar trabalho ou a ficar parado num local sem procura. Numa frota com várias viaturas, controlar esta diferença pode valer mais do que negociar alguns cêntimos no combustível.
O custo dos quilómetros sem passageiro no TVDE
Um quilómetro vazio não gera receita, mas desgasta o carro exatamente como um quilómetro pago. Consome combustível ou eletricidade, aproxima a revisão, retira vida aos pneus e aumenta a exposição a acidentes. Também pesa na desvalorização da viatura, porque o mercado de usados olha para a quilometragem total e não quer saber quantos desses quilómetros levaram um passageiro.
O problema costuma passar despercebido porque não aparece como uma linha isolada na contabilidade. O operador vê a fatura do combustível, os carregamentos, a oficina e a faturação semanal das plataformas. Se a receita baixar, a explicação mais imediata será a falta de procura ou o desempenho do motorista. Porém, duas viaturas com faturação semelhante podem ter custos muito diferentes. Uma pode produzir essa receita com 1.000 quilómetros e outra precisar de percorrer 1.250. A segunda chegará mais cedo à manutenção e à substituição de componentes.
Nem toda a distância sem passageiro é desperdício. O motorista precisa de se deslocar até ao ponto de recolha, pode terminar uma viagem numa zona sem procura e, no fim do turno, tem de entregar o carro. O objetivo não deve ser eliminar estes quilómetros, algo irrealista, mas separar deslocações necessárias de movimentos evitáveis. Circular durante meia hora à procura de tarifa dinâmica, atravessar a cidade sem um pedido confirmado ou levar a viatura para tratar de assuntos pessoais são situações diferentes e exigem respostas diferentes.
Uma frota não ganha apenas quando fatura mais. Ganha também quando percorre menos quilómetros para produzir a mesma receita.
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Ver planosComo calcular a quilometragem vazia de cada turno
O ponto de partida é registar a quilometragem total no início e no fim do turno. Fotografias do painel, com hora identificável, são uma solução simples para operações pequenas. Numa frota maior, os dados de localização da viatura e os registos digitais reduzem trabalho administrativo e dificultam erros. Seja qual for o método, todos os motoristas devem seguir o mesmo procedimento. Se uns registarem à entrada e outros apenas depois de abastecer ou carregar, a comparação deixa de ser fiável.
Depois, é preciso recolher a distância associada às viagens nas plataformas. Aqui convém perceber o que cada relatório inclui. Há relatórios que mostram apenas a distância com o passageiro dentro do carro, enquanto outros também apresentam o percurso até à recolha. O operador deve manter estas categorias separadas, pois a deslocação para recolher um cliente faz parte do serviço, embora ainda não exista passageiro a bordo.
Uma análise útil divide os quilómetros do turno em quatro grupos:
- Quilómetros com passageiro: distância entre a recolha e o destino final registado na aplicação.
- Deslocação para a recolha: percurso feito depois de o motorista aceitar o pedido e antes de iniciar a viagem.
- Reposicionamento operacional: deslocação para uma zona com procura, para carregamento, abastecimento, lavagem ou troca de turno.
- Utilização não justificada: distância sem correspondência nos relatórios, nos procedimentos da frota ou numa explicação operacional plausível.
A percentagem vazia pode ser calculada comparando a distância sem passageiro com a quilometragem total. Ainda assim, uma percentagem isolada diz pouco. Um turno noturno no centro de Lisboa não deve ser comparado diretamente com um turno que inclua viagens para Sintra, Margem Sul ou aeroporto. O melhor é acompanhar a evolução da mesma viatura, do mesmo horário e, sempre que possível, do mesmo motorista durante várias semanas. Um dia com uma viagem longa para uma zona periférica pode distorcer o resultado.
Descobrir onde a frota está a perder quilómetros
Os maiores desvios aparecem muitas vezes no início e no fim do turno. Se o motorista leva o carro para casa, a deslocação entre a residência e a zona de trabalho deve estar prevista nas condições acordadas. Caso contrário, a empresa pode estar a suportar diariamente dezenas de quilómetros sem saber. Numa viatura partilhada, uma troca de turno mal localizada produz o mesmo efeito: o primeiro motorista atravessa a cidade para entregar o carro e o seguinte repete parte do percurso para começar a trabalhar.
Outro foco de desperdício é a perseguição de zonas supostamente mais rentáveis. Um mapa com preços elevados pode desaparecer antes de o carro lá chegar. O motorista percorre vários quilómetros, entra numa fila de viaturas e acaba por aceitar uma viagem curta. Esta prática é especialmente cara num automóvel a combustão, mas também prejudica um elétrico. A energia pode custar menos por quilómetro, porém a autonomia consumida obrigará a carregar mais cedo e pode retirar tempo produtivo ao turno.
As deslocações para carregamento também merecem análise própria. Escolher um posto mais barato situado longe da área de operação nem sempre representa poupança. O cálculo deve incluir a ida, o regresso, o tempo de espera e a possibilidade de o carregador estar ocupado ou avariado. Poupar alguns euros numa sessão pode sair caro se a viatura perder uma hora de procura num período forte. Em carros a combustão, a lógica é semelhante: abastecimentos frequentes fora da rota aumentam distância e criam oportunidades para compras sem controlo.
Também há diferenças causadas pela forma de conduzir. Um motorista que permanece numa zona depois de terminar uma viagem tende a percorrer menos do que outro que começa logo a circular. Ficar parado, contudo, só funciona quando o local é seguro, permite estacionamento e tem procura razoável. Não se trata de mandar esperar indefinidamente. Trata-se de usar dados históricos para identificar zonas e horários em que o reposicionamento compensa, em vez de decidir por hábito ou intuição.
Metas justas sem criar conflitos com os motoristas
Transformar a quilometragem vazia numa arma disciplinar é um erro. O motorista não controla o destino atribuído pelo passageiro, a distância até à recolha nem a distribuição da procura. Se a empresa aplicar um limite rígido sem considerar estas variáveis, criará incentivos perigosos. O condutor pode evitar recolhas mais distantes, desligar a aplicação depois de terminar numa periferia ou conduzir depressa para compensar tempo perdido. Nenhum destes comportamentos melhora a operação.
É preferível trabalhar com intervalos de referência e analisar exceções. Se um motorista apresenta consistentemente mais distância vazia do que colegas no mesmo horário e território, o gestor deve observar os trajetos antes de tirar conclusões. Pode existir uma explicação simples: carregamentos mal planeados, uma residência distante do ponto de entrega, preferência por uma plataforma com recolhas longas ou pausas feitas com a viatura em movimento. Uma conversa apoiada em percursos concretos é mais produtiva do que uma acusação baseada apenas no conta quilómetros.
O regime de pagamento também influencia o comportamento. Quando existe um valor fixo diário, alguns condutores podem sentir menos pressão para otimizar a distância. Num regime dependente da faturação, o motorista tenderá a procurar zonas de maior procura, mesmo que isso implique circular mais. O acordo deve deixar claro quem suporta energia, combustível, portagens e utilização particular. Se estes custos estiverem mal distribuídos, os interesses do operador e do motorista deixam de estar alinhados.
Uma política equilibrada define o local de início e fim do turno, as regras para uso pessoal, os procedimentos de abastecimento ou carregamento e a forma de justificar desvios. Deve também prever exceções para acidentes, estradas cortadas, limpeza urgente, assistência à viatura e falhas nas aplicações. Regras curtas e verificáveis funcionam melhor do que um regulamento extenso que ninguém consulta.
Medidas práticas para reduzir distância sem receita
A primeira medida é redesenhar as trocas de turno. Sempre que possível, a entrega deve acontecer numa zona onde o motorista seguinte possa ligar as aplicações e começar a receber pedidos. Uma garagem barata, mas afastada dos centros de procura, pode gerar duas deslocações improdutivas por dia. Multiplicadas por uma frota inteira e por várias semanas, tornam-se uma despesa relevante.
Nos elétricos, o carregamento deve ser planeado em função do turno seguinte e não apenas quando a bateria chega a um nível baixo. Carregar durante uma pausa prevista, perto de uma zona com procura posterior, reduz deslocações específicas ao posto. Também convém comparar operadores de carregamento pelo custo total da operação, não só pelo preço indicado. Tempo, estacionamento, filas e distância alteram a conta.
Os relatórios devem ser revistos semanalmente, mas as decisões precisam de usar períodos mais longos. Uma semana com eventos, chuva intensa ou obras pode mudar os percursos. Ao fim de um mês, os padrões tornam-se mais claros: viaturas que fazem demasiadas idas à base, turnos com recolhas longas, motoristas que circulam continuamente e pontos de carregamento que obrigam a grandes desvios. A gestão pode então testar uma alteração de cada vez e verificar se a receita por quilómetro melhora.
O indicador mais útil não é simplesmente faturação diária. É a relação entre receita, quilómetros totais e horas disponíveis. Reduzir distância vazia à custa de menos horas ligado ou de viagens perdidas seria uma falsa melhoria. A meta correta é produzir receita semelhante, ou superior, com menor desgaste por turno.
Controlar os quilómetros vazios exige disciplina nos registos e bom senso na leitura dos dados. Não serve para vigiar cada movimento do motorista, mas para encontrar rotas, horários e procedimentos que estão a consumir margem. Quando a frota sabe onde anda sem faturar, consegue organizar melhores trocas, planear energia e manutenção e discutir desempenho com factos. O resultado aparece devagar, na oficina, na autonomia disponível e no valor de retoma. É precisamente por isso que este custo escondido merece acompanhamento regular.
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